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Crianças e cães: garantir uma relação segura

Crianças e cães: garantir uma relação segura

Nem o cão mais dócil é totalmente à prova de crianças. Treinar cães, ensinar crianças e supervisionar é fundamental. Veja porquê.

Atualizado a 13/02/2023
10 MINUTOS DE LEITURA
Crianças e cães: garantir uma relação segura

É muito comum as crianças crescerem com animais de companhia na família, sobretudo cães, com efeitos conhecidos no desenvolvimento da sua autonomia e competências.

No entanto, juntar cães e crianças tem sempre alguns riscos e a supervisão permanente desta relação por um adulto é imprescindível. Nenhum cão, nem mesmo da raça mais dócil, é completamente à prova de crianças.

Para que a relação seja segura, duradoura e com resultados positivos, há que ensinar às crianças, da forma mais adequada às várias idades, como devem lidar com os cães, que são animais e não brinquedos ou outras pessoas. E supervisionar. Crianças pequenas não devem nunca serem deixadas sozinhas com um cão, independentemente da fiabilidade que seja reconhecida ao animal.

A perspetiva dos cães

Os cães têm formas próprias de se integrar numa família humana e de se comportar.

  • Um elemento importante na vida de um cão é a sua necessidade de fazer parte de um grupo com uma hierarquia;
  • Por isso, a família que acolhe um cão passa a ser vista por ele como a sua matilha;
  • Os elementos adultos da família são para o cão os chefes da matilha (elementos alfa);
  • As crianças são os seus companheiros próximos, que estão ao seu nível ou a um nível mesmo mais baixo.

Importância do treino e socialização dos cães

A maioria das reações dos cães são instintivas e, em certas circunstâncias, qualquer cão pode defender-se mordendo.

Um treino de obediência consistente e uma boa socialização são os pilares para moderar estas reações, para as tornar menos imprevisíveis e, assim, assegurar uma boa integração e a segurança de todos, especialmente quando há crianças numa família.

Integrar um cão numa família implica impor-lhe regras, por exemplo não pedir, não saltar sobre as pessoas ou móveis, não morder, etc. Toda a família deve implementar essas regras de forma consistente, para não confundir o cão quanto ao que é pedido. Estas regras devem ser implementadas firmemente, mas sempre baseadas em reforço positivo.

Garantir uma interação segura

Com bom senso e tendo a segurança como objetivo principal, assegura-se uma relação excelente entre crianças e cães.

As crianças precisam de aprender a interagir com o cão respeitando-o e tendo em conta quatro aspetos principais:

  • Como e quando se podem aproximar, tocar ou afagar o animal;
  • Que tipo de jogos e brincadeiras são possíveis;
  • Entender a linguagem corporal do cão;
  • Quando não devem perturbar o cão.

Dependendo da idade, a interação possível e desejável entre crianças e cães vai variando.

 

Crianças com menos de 2 anos

Para um cão as crianças desta idade fazem parte da sua ninhada. Por seu lado, as crianças quando começam a falar, fazem-no também para o cão, chamam-no, mas não entendem o que é um realmente um animal e o cão é mais um brinquedo atrativo e interativo.

  • A supervisão por um adulto é imprescindível quando crianças e cão estão juntos.
  • O cão faz parte da família. Por isso, não deve ser mantido isolado, seja num quintal ou noutro local da casa. Pode temporariamente ficar noutra divisão da casa, se a criança estiver a brincar com uma supervisão menos atenta, mas quando esta existe o animal deve ser deixado por perto.
  • A criança deve começar a ser ensinada a lidar com o cão, por exemplo a aproximar-se devagar, ser meiga, não fazer gestos bruscos, não puxar orelhas, caudas ou outras partes do corpo e a fazer festas.
  • Se uma brincadeira se tornar mais brusca, seja por parte do animal, por exemplo a tentar pendurar-se ou saltar sobre a criança, seja por parte da criança, por exemplo a puxar as orelhas do cão, a interação entre ambos deve ser interrompida de modo que percebam que não está correta.
  • Desde que seja com supervisão, o cão pode entrar no quarto da criança, mas deve ser ensinado a comportar-se quando aí está, sempre com reforço positivo.
  • O cão deve ser elogiado e recompensado quando a criança brinca com ele.

 

Dos 2 aos 7 anos

O cão ainda vê as crianças desta idade como companheiros de ninhada. Para as crianças começa a ser um amigo, um ser engraçado que até compete pela atenção dos pais. Nesta idade é ainda comum puxar as orelhas, a cauda ou os bigodes do cão, por vezes bater-lhe, e este até poderá permitir. No entanto, a criança deve continuar a ser ensinada a não o fazer, pois são ações que um cão não aprecia e que poderão fazê-lo defender-se.

  • Todas as interações entre o cão e a criança devem ser monitorizadas.
  • A criança deve ser ensinada a ter uma atitude meiga com o animal.
  • Devem ser ensinados à criança jogos adequados para fazer com o cão (por exemplo atirar a bola ou outro objeto e o animal trazer) para que não haja lugar a brincadeiras com contactos físicos ou jogos mais bruscos ou violentos, que o animal pode não gostar.
  • Sempre que estejam em casa crianças estranhas, por exemplo numa festa, com barulho e rebuliço, o cão deve ser fechado noutro local para evitar atitudes agressivas instintivas de defesa. Mesmo que um cão goste e brinque com as crianças da família, isso não significa que tenha a mesma atitude relativamente a outras crianças e os ambientes de excitação favorecem atitudes de defesa.

 

Dos 7 aos 11 anos

Nesta faixa etária, as crianças começam a mostrar interesse em cuidar do cão.

Devem, então, começar a participar nos passeios, treinos ou alimentação. Geralmente, os cães reagem muito bem a esta participação porque as crianças que se envolvem são mais constantes e brincalhonas do que os adultos.

  • As atividades a atribuir às crianças devem ser baseadas no seu interesse e capacidade para as assegurar e manter.
  • Atividades que envolvam várias crianças devem ser controladas de modo que não atinjam níveis de excitação que possam fazer o animal reagir.
  • Não se deve esperar que as crianças desta idade assumam a responsabilidade total de um cão. Podem ter um papel mais ativo nas atividades do dia a dia e na educação do cão, mas não podem ser o elemento de quem este depende.
  • Um cão precisa de muito mais tempo e atenção do que aqueles que uma criança pode proporcionar. Por isso, a hierarquia tem de ser mantida e a responsabilidade tem de ser sempre dos adultos da família. As crianças podem e devem ajudar.

 

Mais de 11 anos

A partir desta idade muitas crianças começam a ter mais interesse nas suas próprias atividades do que no cão. Não significa, naturalmente, que deixam de gostar do cão e este pode mesmo ser o seu companheiro preferido em situações de maior stress.

  • Nesta altura os adultos devem começar a dar mais atenção ao cão, sobretudo quando o seu melhor companheiro de brincadeiras começa a ter mais atividade social e que, certamente, se intensificará durante alguns anos com a adolescência.

Linguagem corporal dos cães

Os cães têm uma linguagem corporal que permite identificar muitas situações de maior risco. No entanto, dependendo da sua idade, as crianças podem não conseguir reconhecer e interpretar esses sinais e estes podem ser subtis. Ao longo do tempo é importante que sejam alertadas para os seguintes sinais, que indicam que alguma coisa está a incomodar um cão e que este se pode defender mordendo ou atacando:

  • Rosnar;
  • Mostrar os dentes com ou sem rosnar simultaneamente;
  • Olhar fixo e com dilatação das pupilas;
  • Corpo tenso e contraído;
  • Orelhas dirigidas para a causa da perturbação;
  • Cauda hirta, sem movimento ou apenas a abanar a ponta;
  • Eriçar dos pelos;
  • Ladrar alto e contínuo dirigido à causa de perturbação;
  • Interrupção de atividade em curso e aparência contraída;
  • Evitar de festas ou contactos físicos.

 

Todos estes sinais se podem manifestar isoladamente ou em conjunto com outros.

Momentos de isolamento dos cães

Há igualmente momentos em que os cães não gostam de ser perturbados e, se o forem, habitualmente manifestam os sinais de incómodo já referidos e podem defender-se. Assim, é importante não interagir com os cães quando:

  • Acordam;
  • Estão a comer;
  • Estão entretidos com um objeto preferido;
  • Estão a dormir e alguma coisa os acorda abruptamente;
  • Fazem as suas necessidades fisiológicas;
  • Se afastam sendo evidente que não pretendem ser incomodados.

 

Lembre-se

Cães e crianças, mesmo pequenas, podem ser excelentes amigos. Mas a supervisão e controlo da relação pelos adultos é fundamental para garantir a segurança de todos, especialmente das crianças.

 

Consulte o artigo original “Crianças e cães: garantir uma relação segura” no site Hospital da Luz.

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