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Depressão pós-parto: causas, sintomas e tratamento

Depressão pós-parto: causas, sintomas e tratamento

A depressão pós-parto afeta cerca de 20% das mulheres. Conhecer os sintomas e procurar ajuda é importante para tentar evitar consequências sérias para a mãe, o bebé e o resto da família.

Atualizado a 29/07/2022
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Depressão pós-parto: causas, sintomas e tratamento

O nascimento de um filho reveste-se de alterações significativas na mãe, de cariz físico, psicoemocional e social. Apesar do nascimento de um bebé poder associar-se a sentimentos de alegria, também é verdade que pode determinar uma vulnerabilidade psicológica na mulher.

No pós-parto, é frequente ocorrer um período de adaptação e ajustamento em que a mulher pode experimentar alterações do humor como irritabilidade, tristeza e ansiedade. Estas sensações acontecem devido a um ajuste hormonal e psicossocial à nova condição de vida.

Estas modificações psicológicas são normalmente transitórias, designam-se por “blues” e acontecem a cerca de 50% das mulheres (Direção Geral de Saúde, 2019). Podem durar horas ou alguns dias.

Em alguns casos, estas alterações podem prolongar-se no tempo e aumentar a sua intensidade, evoluindo para um quadro de depressão pós-parto. O que seria uma fase de ajuste e reorganização, prolonga-se com consequências na relação mãe-bebé e com o meio envolvente.

Quais as causas?

A depressão pós-parto afeta cerca de 20% das mulheres, de todas as idades, classes sociais ou etnias. É uma condição clínica e como tal, necessita de tratamento e cuidados. Caso contrário, pode trazer consequências sérias para a mãe, para o bebé e para a família, tendo em conta que a depressão afeta a capacidade de relação com os outros e o funcionamento geral.

De acordo com diversos estudos, existem várias causas para ocorrência desta. Estão envolvidas causas orgânicas, fisiológicas e hormonais, mas também aspetos emocionais. A forma como a mulher viveu a gravidez, o seu contexto afetivo envolvente, o suporte familiar existente e o stress na gestação ou no pós-parto são alguns exemplos psicossociais que podem contribuir para a evolução da fase de “blues pós-parto” para depressão.

 

E os sintomas?

A mulher com depressão pós-parto poderá sentir tristeza significativa, irritabilidade, alterações do apetite, do sono, fadiga, perda de interesse e desmotivação. Pode também ter sentimentos penosos de culpabilidade, vergonha e incapacidade, que podem ser bastante complexos caso não sejam trabalhados. O diagnóstico pode não ser fácil, tendo em conta que alguns sintomas, como fadiga ou alterações do sono, podem confundir-se com a fase de sobrecarga pós-parto.

 

O que fazer num caso de depressão pós-parto?

Quando o sofrimento envolve consequências na vida do dia a dia, a busca de tratamento é essencial para devolver à mulher a capacidade de viver o seu papel de mãe.

Pode ser necessário recorrer a acompanhamento psicológico, consultar um médico e recorrer a psicofarmacologia. Nos dias de hoje, existem diversas opções de medicamentos adequados para situações pós-parto e até na gravidez.

O aconselhamento familiar também pode ser uma opção, tendo em conta que o pai ou outros membros da família também são afetados pela depressão pós-parto e também eles podem necessitar de ajuda ou orientação.

O mais importante é que todas as mães, pais e famílias, perante situações desafiantes da vida como o nascimento de uma criança, possam compreender o que são alterações naturais, mas saibam identificar situações em que é importante solicitar ajuda, seja em termos de suporte social, seja em termos clínicos. O objetivo será sempre o equilíbrio e o bem-estar da família!

Catarina Vidigal
Catarina Vidigal
Psicóloga Clínica
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